segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Pixote

Marcos,
Não consegui abrir os links.
Sem dúvida o belo filme do Hector Babenco revelou o Fernando Ramos
para o público.
Mas informo: antes de "Pixote", o Fernandinho atuou em meu filme
"Alice" (de 1976), média metragem proposta de mini-série ( um dos
filmes do pacote de pilotos com que o cinema brasileiro TENTAMOS
entrar na TV na década de 70, sem sucesso). Veja em minha biografia
(Maria do Roisário; JBA, "alguma solidão e muitas histórias",
Coleção Aplauso/Imprensa Oficial São Paulo)
Para o filme "Alice", o Fernandinho foi indicado para mim pelo meu
assistente Reinaldo Volpato. Reinaldo o viu já trabalhando como atôr
na peça "O último Carro" de João das Neves. Vendia balas, gritando
"embaré" com sua voz infantil.
É uma lembrança um tanto triste.

João Batista de Andrade
VEJA:
http://www.viladosconfinsofilme.blogspot.com>
Blog do filme "VILA DOS CONFINS", projeto de longa-metragem de JOÃO
BATISTA DE ANDRADE, baseado no romance de MÁRIO PALMÉRIO:
Produção: Oeste Filmes/Tao Produções

On Qui 02/08/12 21:12 , Marcos Manhães Marins
marcos@cinemabrasil.org.br sent:
CINEMABRASIL-Lista debatendo Tecnica,Linguagem, Mercado do Cinema Brasileiro
____________________________________________________________________________

PARA QUEM PENSA...
que Fernando Ramos da Silva só autou no PIXOTE...
clique em:
http://www.ifch.unicamp.br/ael/banco_imagens/original.php?img=118451892665d
3222f780fb8e66f337f_lh-1004-ma.jpg&codigo_foto=455
OU
http://migre.me/a8yeS

Enviada por: Marcos Manhães Marins

Enviada por: João Batista de Andrade <jotabea@terra.com.br>

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mensalão

Não estou pedindo nem condenação nem absolvição.
Só questionando.
STF, afirmação da Justiça ou do espirito conciliador da formação brasileira?
Com sociedade extremamente dividida, posições partidarizadas, STF atuará como afirmador dos valores da democracia e da justiça ou tentará o caminho tradicional da politica brasileira que é o da conciliação?

terça-feira, 31 de julho de 2012

Fiquei com saudades do Rudá, meu amigo Rudá Andrade. Eis o que escrevi quando ele se foi:
O Rudá
É aquele
Que na vida
Nos deu o pão do sonho
Viva ele
Viva o Rudá
Quem mais que ele
Tem tanto para dar?
Lá vai ele
O nosso Rudá
Lá vai, garboso
O nosso Rudá
Vai se encontrar
Com o Oswald pai
E com a mãe Pagu
Na mão direita o aceno
Aos amigos
Na esquerda,
A bandeirinha vermelha
De sonhar

segunda-feira, 30 de julho de 2012

mensagem para twitter e facebook

30\jul\2012   16 hs
somos tão parecidos...a mesma angústia, muitas vezes o sentimento de falta de sentido, as mesmas ligações superficiais com todo o pensamento da história da humanidade, o mesmo desejo de fé, a mesma busca de ídolos, o mesmo medo da morte, o mesmo desejos de nos diferenciarmos para sermos ainda mais iguais, a mesma solidão...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

hoje no Facebook

Depois de uma semana ruim, gripe forte, febre, meu médico me mandou trabalhar. Não sei se quero. O que eu quero não me dão. O que me dão eu não quero. Sujeitinho difícil. Em minha vida criei essas travas tão cravadas que delas não consigo me livrar mais. Tudo que fiz e faço está impregnado dessas normas que hoje parecem crueis. Mas não me arrependo nem uma unha de não ter feito na vida o que queriam que eu fizesse e muito menos de ter feito tudo o que eu fiz ao meu jeito, torto, por meu gosto. Não me resta outra alternativa do que ir vivendo essa dificuldade até o fim. Meu espírito crítico e um certo humor anárquico me ajudam muito. Os amigos, mais ainda, pois a amizade os leva a lerem o que escrevo sem, espero, levar nada muito a sério. Um jogo bom, com sua ambiguidade, pois por trás de tantos delírios há mais verdades do que se pode imaginar.

E:

Tenho dois livros contratados para edição (um juvenil e outro infantil, lindos) e um romance sobre o Brasil atual em negociação. Quero mesmo apaixonadamente filmar ainda, mas minha saúde pede para ficar fora dessa briga. Eu que lute, mas sem colocar minha vida em risco. Num ambiente desfavorável, é uma bela maneira de permanecer vivo. Escrever é uma segunda paixão, já foi até a primeira. Porisso a luta maior agora seja a de que saiam logo esses textos, pois já tenho outros prontos ou quase...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Novo Olhar sobre O HOMEM QUE VIROU SUCO

Achei na Internet esse texto, da Conceição Oliveira (ou da Rosana Jatobá?).
Achei no blog DESCREMAR
Vale a pena ler:

O homem que virou suco, de João Batista de Andrade (1981)

(09 de março de 2011)

(Este é um pequeno comentário pessoal sobre o filme, nada acadêmico ou resenhístico)

Em primeiro lugar, todos os que falam besteiras sobre a migração nordestina(*) para São Paulo e defendem a paulistanidade, a "pureza" paulista, deveriam assistir a esse filme e, abraçados àquela estátua ridícula do Borba Gato, refletir sobre as questões que ele (o filme, não o Borba Gato) apresenta.

O homem que virou suco fala da migração nordestina para São Paulo no século XX, mais especificamente nas décadas de 1970/1980. Mostra uma São Paulo pulsante e decrépita, retrato e contraponto de um Brasil em crise. Pulsante e decrépita porque cresce, constrói metrô, amplia seu parque industrial e, ao mesmo tempo, ganha favelas, carros nas ruas, cinza na paisagem. Retrato e contraponto porque é rica em um país pobre e sua riqueza mostra características dessa pobreza.

Pobreza que move milhares de pessoas do Norte e Nordeste para esse planalto que as absorve com uma crueldade incrível. Pobreza que transparece na própria metrópole, nos rostos que aparentam fim de vida enquanto, na verdade, é só o dia que acaba.

Pobreza que constrói obras ricas, prédios para a classe alta. Pobreza que vira negócio para todos: desde o coronel da Paraíba até a dondoca da Pauliceia.

O homem que virou suco fala de um desencanto forçado, do condicionamento, do cabresto dos pensamentos e das ações. Fala de preconceitos, de cosmopolitismo grotesco e assassino. Lança a questão sobre o fim da crença na poesia.

O homem que virou suco aborda a loucura, o limite do ser-humano, a neurose da vida moderna. Aborda a cachaça, o sexo, a saudade. Aborda a vida e pergunta a ela, em estado febril e angustiado: "qualé a tua, porra?"

O homem que virou suco é um filme raivoso. Com esse título que parece comédia ou nome de livro infantil, ele engana todo mundo, baba de raiva e cospe na sua cara, seu idiota, e você fica pasmo, mas não indiferente.

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Passou na mostra Radical 80, que está rolando no Centro Cultural São Paulo (programação aqui). Custa 1 real. O cinema lá era gratuito. Passou a ser pago após decreto promulgado na calada do ano passado, dia 28 de dezembro.

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(*) Post de Maria Frô comentando o assunto e trazendo um bom texto de Rosana Jatobá: http://mariafro.com.br/wordpress/?p=18028

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Festival latinoAmericano 2012

Meus amigos, hoje teremos a abertura do Festival latino Americano de SP, no Memorial da Am. Latina. Tenho o maior orgulho por ter sido o idealizador desse festival, quando Secretário da Cultura do Estado de SP, em 2006. A idéia partiu de uma entrevista concedida à revista Nossa América, do Memorial, onde eu fazia uma análise renovada e atual do cinema latino-americano, fugindo à visão demasiadamen...te politizada de minha geração. Ali eu observava que o cinema latino-americano havia conquistado novos espaços, revelado autores e técnicos num mundo globalizado da produção cinematográfica. Autores eram globalizados e as cinematografias nacionais continuavam em grande crise. Como Secretário, viabilizei a idéia junto com Fernando Leça, então Presidente do Memorial (que, aliás, era da Secr. da Cultura SP) . Vendo, à distância, que o Festival segue sua trajetória de sucesso e renovação, a alegria é imensa. Parabens a todos.
 

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Fracasso do chamado "cinema comercial"

Reproduzo aqui diálogo entre cineastas na lista nacional (internet), analisando o fracasso da imposição de u8m modelo pretensamente comercial de cinema e que ameaça jogar o cinema brasileiro, mais uma vez, num só gênero: a porno-chanchada-televisiva:




André Klotzel
Acho que é importante assinalar que o público do cinema brasileiro caiu aos menores níveis dos últimos anos (se não o menor). Conforme a tabela do FilmeB a participação do CB no primeiro semestre de 2012 foi de aproximadamente 5% de público e renda, metade do que havia sido no ano passado (que já era um resultado fraco).
Estes números mostram como o desempenho dos filmes tem sido extremamente volúvel e aleatório - há anos em que chegamos a 22% do market share e agora estamos a 1/4 daquele pico. A meu ver isso é um índice de inconsistência da política "de mercado".
Acho importante a consciência de que precisa existir um número maior de filmes participando do resultado para que não se dependa dos casos isolados. É necessário um esforço para que filmes médios com potencial de público sejam adequadamente distribuídos e exibidos, e que a sustentabilidade esteja distribuída de maneira menos instável e concentradora: aumentar a base de público e diversificar - ao contrário da atual política que surfa, oportunista, na onda da Globo.
Já que a Ancine sempre procurou mostrar bom desempenho quando havia os números positivos, como índice de uma política correta, acho que cabe questionar esta política, agora também com números. Temos dados consistentes, de mais longo prazo, que mostram não haver um crescimento sólido e consistente do CB no mercado.
Fica aí o registro: a concentração excessiva de mercado, além de excludente é também frágil e vulnerável.
André
 
 
Caro André,

Isso quer dizer que a política imposta pelo Manuel Rangel e os curta-metragistas já fracassou?!?!?!

Abração do
Guilherme
 
André Klotzel:
É Guilherme, acho que isso quer dizer que fica desmascarado o discurso de cinema comercial e competitivo que está aí. Em quase 8 anos de gestão do Manoel, Sá Leitão e seus curtas, eles vem com esse discurso, transmitindo uma atitude de supostamente exercer uma disciplina empresarial através das estatais e agora do FSA. E como resultado temos o quê? Uma queda como nunca foi vista nas bilheterias, a não ser nos anos Collor. Ou seja, fica clara a hipocrisia da fórmula, e o projeto de "disciplinar" o mercado nada mais é do que um desejo de poder sem objetivos claros, além de centralizar e controlar.
Pena que demoraram tanto a aparecer dados concretos como este.

On 10/07/2012, at 23:46, Guilherme de Almeida Prado wrote:

 
 
 
Em 11/07/2012 06:09, Guilherme de Almeida Prado
Então, André, é uma desses tipos raros de fracassos que precisam ser comemorados com fanfarras, antes que digam que o fracasso foi do "Cinema Brasileiro"...
Já vimos este filme, não?
Abraços do
Guilheme
 
Roberto Farias:
Nos tempos da pornochanchada, o adicional de renda ( o verdadeiro, não esse arremedo que está aí) permitia um círculo virtuoso entre diretores, produtores, distribuidores e exibidores, onde todos ganhavam. A participação da iniciativa privada garantia os investimentos no cinema, os diretores dirigiam (quantos excelentes e importantes diretores surgiram nesta época?) os distribuidores distribuiam e os exibidores exibiam. Depois de 10 anos de Ancine e de mais de 2 bilhões de recursos aplicados no cinema brasileiro não se viu um gesto, um projeto, um aceno para atrair a inciativa privada. O cinema é arte, mas também comércio. É preciso liberdade de expressão e incentivos à iniciativa privada, porque no final das contas é ela que manda no mercado. O sonho de um cinema estatal destes últimos 10 anos só serviu para escravizar, submeter e humilhar o cinema brasileiro e afastar a iniciativa privada. Nunca houve tanto recurso para o cinema e, salvo nos tempos do Collor, nunca estivemos numa situação tão miserável. Sem criar um círculo virtuoso com a iniciativa privada, o que veremos será uma presença cada vez maior do cinema estrangeiro ocupando as salas do país.
Roberto Farias


-- Grupo do Gmail: "Fórum Nacional de Cineastas"


quinta-feira, 5 de julho de 2012

povo e vitória

Corinthias: não sou corinthiano, mas me emocionei com a vitória de ontem contra o poderoso Boca Juniors.
Sim, vamos comemorar. Não seria igual se qualquer outro time brasileiro fosse o vencedor. Vimos a fôrça que tem um ícone popular como o Corinthians. Não é só o desejo de vitória, mas o de participar, fazer com que a vitória, se viesse, fosse uma conquista de todos. É emocionante

Midia e Corinthians

O que há com o jornalismo da Globo? - vitória de um dos mais populares times de futebol no Brasil e, em vários programas, chamam seus atores "globais" para comentar? - E no Bom dia Brasil colocam a Hortênsia para falar de sua emoção... Penso que há um sentimento de derrota dessa parte elitizada de nossa sociedade: o povo se diverte sem eles. Então, tentam trazer a vitória também para eles.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

acomodados

Coisas do Brasil e do passado. Até os anos 60, existia uma tal SUNAB (Superintendencia nacional do Abastecimento). Tabelava tudo. Você pedia uma média (café com leite) vinha direitinho, com aquela medida certa... Hoje, a cada dia as chávenas de média estão menores. Tomei um lanche aqui no Higienópolis, a média parecia uma chícara para café... O prêço?- preço de média em qualquer padaria... Assim acontece também com óleo, o litro passou para 900ml- e por qual razão? - o preço caiu? nem pensar. E assim, exemplos e mais exemplos. É o capitalismo monopolista ainda fazendo acumulação primitiva...Ah nós, brasileiros somos acomodados demais, sô!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A ferrovia do diabo

Quero aqui agradecer ao Superintendente do IPHAN de Rondônia, Alberto Bertagna, pela ajuda ao encaminhar a questão de meu filme "A ferrovia do diabo" para Brasília.

E agradecer também aos organizadores do festival de Curtas, especialmente ao Carlos Levy.  O Festival é que tomou a iniciativa de cancelar as exibições já que, lamentavelmente não conseguimos resolver a tempo os problemas da exibição do filme e minha presença no evento.
Agora, em contato com o IPHAN de Brasilia, estou tentanto recuperar o filme, tirando copia nova a partir do material encontrado na Cinemateca.
É preciso exibir o filme ( de 1981!) como parte das comemorações do centenário da Ferrovia Madeira-Mamoré

segunda-feira, 11 de junho de 2012

A imagem ausente

Os 15 canais com grade especializada em filmes da TV por assinatura brasileira exibiram filmes 5.738 vezes em 2010. Destes, 908 exibições, o que representa pouco menos de 16%, eram de filmes nacionais. A grande maioria dos títulos locais, no entanto, estava concentrada em um único canal, o Canal Brasil, que exibiu filmes brasileiros 844 vezes. Nos outros 14 canais, apenas 1,3% das exibições de filmes era de títulos brasileiros, apesar de que mesmo no difícil mercado de salas já chegamos perto de 10%
ISSO MUDARÁ COM A NOVA LEI DAS TVS POR ASSINATURA?
Essa é a idéia.

domingo, 10 de junho de 2012

a face do mal, por Alberto Dines

As confissões do ex-delegado do Dops capixaba Cláudio Guerra, no livro Memórias de uma Guerra Suja e em sua entrevista à TV Brasil, confessando os crimes que praticou a serviço da ditadura, nos empurram forçosamente para a medonha teoria da “banalidade do mal”, enunciada pela filósofa Hannah Arendt.

Enviada a Jerusalém em 1961 para cobrir o julgamento do nazista Adolf Eichmann, estrategista e gerente do Holocausto, impressionada pela frieza do burocrata da morte, Arendt formulou uma doutrina assustadora: o demônio não veste túnica vermelha, seu rosto não ostenta rictos, seus olhos não são arregalados – o demônio é gente como a gente. O demônio cumpre ordens, por mais sinistras que sejam. O demônio é um feixe de doutrinas hediondas que seres humanos absolutamente normais aceitam sem discutir.

Eichmann declarou-se inocente, mas as evidências de que cometeu todos os 15 crimes contra a humanidade de que era acusado levaram-no à forca. Executado há exatos 40 anos, em 1.º de junho de 1962.

Cláudio Guerra não foi sequestrado e levado contra a sua vontade a um tribunal. Procurou um jornalista de Vitória (Rogério Medeiros, que já o acusara por outros crimes) e, inspirado pela fé em Deus (agora é pastor na Assembleia de Deus), resolveu contar tudo. Apenas começou.

Não sabe quantos militantes de esquerda matou – tem lembrança de mais de 20; sabe o nome dos cadáveres barbaramente torturados que recebeu do DOI-Codi do Rio, de São Paulo, da Casa da Morte em Petrópolis, e que mandou cremar em uma usina de açúcar em Campos, norte fluminense.

Tem 71 anos, baixo, meio barrigudo, fala mansa, transpira muito, sofre de gota, diabete, problemas cardíacos. Não quer ser perdoado, não teme ser liquidado como o colega e antecessor Sérgio Fleury. Quer apenas ser recebido em paz pelo Senhor. Sabe muito mais do que revelou no livro e no depoimento televisivo. Mas só prestará contas à Comissão da Verdade: já começou a falar para o Ministério Público Federal e para a Polícia Federal. Confia que os outros agentes da repressão política animem-se a segui-lo.

A “irmandade” ainda não foi desfeita, garante; a formação desta corja é a contribuição brasileira à doutrina da banalidade do mal. A organização era militar, a participação civil foi decisiva. Além de policiais como ele, empresários, funcionários públicos, médicos, magistrados, jornalistas, entidades religiosas (TFP). A família proprietária da usina-crematório foi favorecida pelo governo, ganhou facilidades e retribuiu.

Fanatizados pelo anticomunismo, certos de que a distensão tocada pela dupla Geisel-Golbery levaria os subversivos ao poder, constituíram o que ficou conhecido como linha dura. Linha vale-tudo. Matar ou morrer.

Repete que nunca torturou. Acha a tortura abominável; quem torturava eram os militares. Admite, porém, que os encarregados de dar sumiço aos corpos estropiados eram os civis. Ele. Este convênio banal, pragmático, assustou Hannah Arendt. Deveria assustar-nos hoje, quatro décadas depois.

Às vezes passava mal depois de uma execução; em uma ocasião, um coronel levou-o ao Hospital da Aeronáutica no Rio porque estava com palpitações, dor no peito, parecia enfarte. Não tremia ao apertar o gatilho, só depois. Um psiquiatra, um psicanalista ou mesmo um sacerdote no confessionário teriam evitado muitas mortes – ele foi em frente. Normal.

Compensava: Eichmann iniciou-se como cabo, em 1934. Deu certo: oito anos depois, em 1942, assumiu a logística de um dos projetos mais importantes para o alto comando nazista, a Solução Final. Cláudio Guerra era oficial de Justiça no interior de Minas, cuidava de cumprir sentenças de reintegração de posse, tentaram matá-lo, a PM capixaba deu-lhe guarita, treinou-o, fez dele um atirador de elite.

Não é um episódio singular, acidente, obra do acaso. Cláudio Guerra é um caso corriqueiro de intoxicação psíquica. Trivial.


Alberto Dines é jornalista.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Emoções

Meus amigos. Hoje foi um dia de emoção. Primeiro com o filme "Violeta foi para o céu", sobre Violeta Parra, um dos ícones latino-americanos de minha geração. Uma mulher sofrida, genial, em busca de si mesmo e às voltas com as agruras desse mundo, as injustiças, a desesperança. E agora me emocionou demais uma mensagem de um grande  cineasta brasileiro que admiro muito. Na mensagem ele me diz que só agora viu meu filme "Vlado, trinta anos depois", sobre o jornalista Vladimir Herzog, meu amigo assassinado pela ditadura militar em 1975. O Walter Carvalho, Waltinho, como o chamamos, fez forte elogio ao filme e disse que foi às lágrimas. Isso me emocionou demais. "É um filme", pensei. "È bom saber filmar!"