quinta-feira, 20 de junho de 2013

Passeata da Vitória

Acabo de chegar em casa, voltando da Avenida Paulista, onde estive filmando. Um tanto pela paixão ao cinema outro tanto pela política. Paixões que me tomaram há cinquenta anos, desde 63, onde me tornei lider estudantil, militante político e, ao mesmo tempo em que comecei a filmar, inclusive as passeatas. Hoje tudo parecia tranquilo, cada um levando seu cartaz com a palavra de ordem de sua preferência. Desde "fora Feliciano" até " mais verbas para educação", fora fulano, fora sicrano, etc, um emaranhado democrático de palavras de ordem. O clima esquentou quando entraram militantes do PT com suas bandeiras vermelhas. O tumulto foi crescendo até se tornar quase uma guerra. nenhum outro partido levou bandeiras. Vi lá gente do PSOL, do PSTU, do PPS, do PSDB, do PV mas nenhum com bandeira. E é preciso dizer, a Paulista estrava tomada por uma multidão, dezenas e dezenas de milhares de pessoas. Comemoro assim meus 50 anos de cinema e esse novo Brasil que espero esteja surgindo nesse momento confuso. 

Vandalismo e vitória nas ruas

Passeatas. Vandalismo revelam esse outro lado da realidade brasileira: uma sociedade desestruturada e a mercê de decisões que mais levam em conta os interesses das corporações do que os desejos da população. Há quanto tempo se fala da miséria na saúde, nos transportes (caos nas ruas e nas estradas), na educação (deus me livre) e até na ética? Fico estarrecido com a falta de cerimônia de um deputado como o Feliciano fazendo aprovar uma coisa tão absurda como esse "cura-gays", um verdadeiro acinte, uma provocação a essas centenas de milhares de pessoas que se manifestam nas ruas exigindo um país melhor, mais justo, mais ético. E vou dizer, se fosse só o Feliciano estaríamos bem. Mas não. Minha geração, com adolescência nos anos 50, acreditou e lutou emocionada pelo projeto de modernização do país, fomos tomados pela esperança, pelo sorriso de Juscelino Kubistchek (JK), pela superação da ideia de um país atrasado, adormecido, jeca. Fomos para a rua contra o golpe de 61 (renúncia enganosa e golpista de Jânio) e fomos para a rua defendendo as reformas de base, inclusive a universitária, já que acreditávamos que a universidade era elitista. Dessa crença nasceu uma nova cultura brasileira, urbana, como a bossa nova, o cinema novo, o teatro novo, mudando a imagem do país. Claro, no meio do caminho tinha uma pedra e essa pedra foi 21 anos de ditadura que arruinou esse processo. O resultado dessa desastrosa intervenção militar é o que vemos hoje: o mundo da política desacreditado, corporativista, herdeiro do oportunismo dos que aderiram à ditadura (e também dos que julgaram que a democratização jogava a nação inerme em seu colo). E e voltado para interesses menores, um país desestruturado onde tudo é promessa e delas vive a política. Um país onde a federação foi jogada no lixo junto com os gastos milionários em idiotices que só interessavam eleitoralmente. O movimento das ruas precisa enriquecer seu ideário, garantir que as idéias de superação continuem a atrair milhares para o movimento. E que ajudem a população a melhores escolhas em 2014.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Dramaticidade nas passeatas

Facebook 19Jun13
Manifestações: Uma das coisas mais dramáticas que já vi, jovens se colocando como barreira entre a multidão e a prefeitura, tentando impedir a ação dos vândalos. A loucura daquelas pessoas violentas prenunciava um desfecho trágico, envolvendo dezenas de milhares de pessoas. É preciso exaltar a coragem daqueles jovens que conseguiram conter a fúria. Uma coragem física, expondo seus corpos à violência e uma coragem política, assumindo uma posição de coerência do movimento. Por outro lado isso reforça a preocupação com mobilizações feitas pelas redes sociais, onde falta organização. Enalteço aqui também a preocupação das lideranças em não matizar o movimento com partidos políticos, sempre os mesmos, mínimos, inexpressivos, tirando casquinha do movimento social. Mas tenho uma crítica: essa preocupação não deve levar o movimento a uma postura anti-política, seria uma incongruência

domingo, 16 de junho de 2013

Os eleitos

No Facebook dia 16\jun\13

ESTRANHANDO O MUNDO

A quem serve o mito do artista?
Serve a quem o mitifica
Palavras seletivas ferem como escolhas
Semeiam desejos de ser eleito
A quem serve essas palavras tão meigas
Que dirigem seu afeto ao outro
E pedem que aceites?
A quem servem os mitos, os eleitos?
Curva-te perante os deuses
Ajoelha sob tais palavras tão belas
E sorrisos tão insinuantes!
Em vão miras os que te miram
Se não és o eleito
A quem servem os mitos?
Artistas mortos oferecem as alças de seus caixões
Para que os falsos poetas os carreguem para sempre

Optortunismo

também é demais: PT condena Governo de SP pela violência da polícia. Vai condenar também governo do Rio e de Brasília, ligados ao PT? - E tudo isso depois de o Ministro da Justiça ter declarado apoio ao Governo de Sp "contra a baderna e a destruição de patrimônio público" e da condenação do próprio prefeito de SP dessa s ações de depredação?
Não fico contente com nenhuma repressão, mas tentativa de manipular os fatos e usá-los dentro da disputa eleitoral é intolerável.
Tenho simpatia por esses jovens, mas nutro a preocupação com essa facilidade com que tudo isso pode ser manipulado nesse momento de intensa disputa eleitoral. É preciso estar atento...
Vejam texto em minha página https://www.facebook.com/andrade.jb

Passeatas e perigos políticos

Passeatas: Os jovens que agitam a cidade com esses movimentos agitam também nossa consciência e exigem de nós reflexões mais profundas. Tenho tentado fazer isso nesse espaço democrático das redes, as mesmas redes que propiciaram a eclosão desses movimentos. Movimentos independentes, desorganizados podem se tornar um problema para todos, inclusive para seus convocadores. Sou cineasta e não posso me esquecer da lição do cinema do polonês Istvan Szabo com seus filmes "Mefisto" e "Hanussen", onde os personagens tentam agir junto à politica imaginando que sairia ileso das determinações da política. Em Mefisto o ator achando que servindo ao poder terá o poder a seu serviço. Hanunssen acreditando que pode fazer politica independente ( exercer independentemente seu carisma) quando o poder vai sendo conquistado pelo carisma de Hitler. O poder fará deo ator uma bucha vazia e exigirá de Hanussen o reconhecimento de que na Alemanha só havia o lugar para UM carisma!
Quero dizer que em meio a essa crescente disputa política é difícil escapar de estar ou de servir a um lado dessa equação. Isso exigiria dos líderes um esforço muito grande de organização e uma severa consci~encia política. Tudo pode ser, tudo pode acontecer, mas nada será fácil e os perigos são tantos quanto a alegria de participar.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Passeatas, enganos e violência

Passeatas. Jovens muitas vezes se manifestam mais por instinto do que levadas por causas menores como o pequeno aumento das passagens ou o projeto de remodelação da Praça projeto de remodelação da Praça Taksim. Para o Brasil, arrisco: Há um cansaço na sociedade de se ver substituída pelo governo e por um partido. Há uma década que os movimentos sociais murcharam e as lideranças se tornaram governo. O governo substituiu o movimento social, incluindo aqui o movimento estudantil. O descontrole governamental sobre esse movimento de agora pode mostrar esse cansaço, o desejo de vida própria, a insatisfação com os resultados e a própria ideia de "substituição".

quinta-feira, 16 de maio de 2013

facebook

Estou usando minha página do Facebook.
Veja meus posts lá:

https://www.facebook.com/andrade.jb

terça-feira, 16 de abril de 2013

Tela "O Tronco"


Tela baseada em meu filme "O TRONCO" (1998) BASEADO NO ROMANCE DE BERNARDO ELIS

Fime " O TRONCO"


Pintor de Pirenópolis (Go) pinta quadro baseado na cidade cenográfica de meu filme "O tronco" (1998)
Cinema e história

A história do Filme "O Tronco" rodado em Pirenópolis em 1998 foi inspirado em um fato que ocorreu na cidade de Dianópolis no Tocantins.
A pintura de Pérsio Forzani, artista plástico de Pirenópolis, reproduziu em arte a cidade cenográfica do filme "O Tronco", a Região do Duro em 1919, atual cidade de Dianópolis.
O enredo se baseia no Juiz Celso Calmon Nogueira da Gama que foi desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás, no governo de Brasil Ramos Caiado, na época, deu origem aos desentendimentos que culminaram com a CHACINA DO DURO. Tornou-se famoso pela sua interferência nos conflitos de São José do Duro, hoje Dianópolis, no Estado do Tocantins, envolvendo a família do Deputado Estadual Abílio Wolney e a Força Pública Estadual, no Governo do Desembargador João Alves de Castro. Tais fatos, ocorridos no dia 16 de janeiro de 1919, na chamada QUINTA-FEIRA SANGRENTA, quando nove pessoas foram assassinadas acorrentadas ao tronco, deram origem ao romance de Bernardo Élis “O TRONCO”. O filme do mesmo nome, dirigido por João Batista de Andrade, em que Antônio Fagundes faz o papel do Juiz Carvalho, que é o Juiz Celso Calmon Nogueira da Gama, da história original, filmado na cidade cenográfica em Pirenópolis, em 1998.
Conforme versão popular, na região, as índias Tapuia em suas andanças pelos arredores, encontraram pedras amarelas que ingenuamente foram levadas aos Jesuítas. Estes, claro, constataram que as tais pedras eram pepitas de ouro. Em decorrência deste ato os índios ficaram responsáveis pela extradição aurífera, tornando o local conhecido como “As Minas das Tapuias”, daí derivando os nomes D’oiro, D’ouro e Região do Duro.
Em Dianópolis pouco se conservou da arquitetura. O centro histórico da cidade, situado em torno da Praça Cel. Wolney é composto de prédios residenciais, restando duas casas do século passado. Essas casas mantêm suas características originais (foram construídas em 1885 e 1892, respectivamente). Além desses imóveis restam também cerca de meia dúzia de casas, que conservam o aspecto original, porém, retratam um estilo já do inicio do século passado, por volta dos anos 30 e 40. Hoje há uma capela em homenagem às 9 pessoas assassinadas, no centro de Dianópolis, cidade localizada no sudeste do Tocantins, próximo a divisa com a Bahia, aos pés da Serra Geral nas proximidades do sul do Jalapão.

 O filme, BASEADO NO ROMANCE de BERNARDO ELIS (ESCRITOR MARAVILHOSO), ganhou, entre outros,  o prêmio de MELHOR FILME pela Comissão dos 500 anos de Brasil, no Festival de Brasília de 1999 (acho que é esse o ano). Elencão que marcou Goiás e ajudou a alavancar o turismo na cidade histórica de Pirenópolis ( terra das cavalhadas famosas). Angelo Antonio, Leticia Sabatella, Antonio Fagundes, Rolando Boldrin ( faz um coronel maravilhoso), Cida Moreira, Chico Diaz. Esses atores viveram na cidade todo o tempo, convivendo com a população. O filme é um épico, guerra de jagunços, centenas de figurantes quase todos os dias, uma vila construída, projeto do arquiteto Vinicius Andrade.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

livros novos


Lançamento - João Batista de Andrade

Autor lança juntamente a Editora Lazuli dois livros infanto-juvenis
Imagem ilustrativa05.04.2013
Autor lança livros voltados para o público juvenil, mas que irão agradar a todos os públicos com a sua visão crítica do mundo. 
Sobre os livros:
A TERRA DO DEUS DARÁ é um livro juvenil forte: dois garotos, um menino e uma menina, bem urbanos que conhecem um filho de um líder camponês e viajam com ele descobrindo o "Brasil profundo".
SOZITOS, A LENDA DA TERRA RONCA é um livro para crianças e adolescentes: uma história narrada em linguagem poética. Sozitos são seres infantis e solitários da natureza. Cada um pensa que só ele existe, até descobrirem, espantados, que são muitos...

sábado, 6 de abril de 2013

marginalização de veteranos

Cinema Brasileiro: discriminação e marginalização de veteranos é politica de ACUMULAÇÃO PRIMITIVA DE CAPITAL. Só que agora promovida pelo Estado: tomam tudo, excluem os que fizeram e entregam tudo às "empresas com capacidade comercial" segundo julgamento da burocracia.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

CONSPIRAÇÃO


CONSPIRAÇÃO
Olhei o céu, não era céu
Os pés no chão, não havia chão
O ar, nem ar, nem água, nem nada
Nem bar, nem jornais, nem pão

Palavras, puro silêncio
Ouvidos inúteis, nem falas nem eco
Pernas feito árvores perdidas
Na imensidão das esquinas

Gritos de cinema mudo, gestos inúteis
Ônibus vazios, nem cobradores, nem motoristas
E prédios imensos, pedras intangíveis
Conspiração do silêncio e do nada
                         SP 04abr13

pressentimentos

Que coisas estranhas são os pressentimentos. Acordei ontem, escrevi um texto onde falava de um sonho que não tive, meu céu caindo sobre minha cabeça. Um texto aparentemente sem razão alguma, vindo sei lá de onde. Não demorou muito, tive que me esforçar muito para que o pressentimento não se realizasse. Quase. Sou uma pessoa estranha, inquieto demais. Um incômodo que consome noites e atormenta os dias. Mas aponto para o futuro, a vontade de fazer coisas. E vou fazendo pela vida afora, embora isso não me traga paz. Nem alegria. 

quarta-feira, 3 de abril de 2013

sinal dos tempos

Bom dia, amigas e amigos. Andei meio arisco, catando bolas do lado de fora da rede. Sonhei que meu céu desabava, perdi o sono, minha irmã de longe enviou-me um pensamento, "isso é bobagem". Devolvi, "obrigado, mana". O ceu não desabou mesmo, Dag tinha razão. E a experi~encia me alentou: comunicar-me sem fios. Fui mais longe, desfazendo fazeduras incômodas da humanidade. Confiar no fio de bigode, andar sem talão de cheque, sem cartão, fiar o café da manhã no bar da esquina e ainda perguntar o resultado do futebol. Em todo caso peguei o celular, duas da manhã e liguei para vários amigos. Claro, eu os acordei, mas precisava ouvir deles que eram mesmo meus amigos. E dizer que havia sinais claros dos tempos. Que tempos? - bom, isso é assunto para mais tarde. Sou mineiro, nada de entregar tudo numa só bocada.