quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Sobre A PRÓXIMA VÍTIMA

fb 16fFev2015

"Filme do grande João Batista de Andrade".
Zapeando internet, dei com com essa frase (e comentários elogiosos de cinéfilos!) numa página do filmow sobre meu filme "A próxima vítima" (atenção: de 1983, muitos anos antes, nada a ver com a novela da Globo). Filme com Antonio Fagundes, Gianfrancesco Guarnieri, Othon Bastos, Aldo Bueno, Denise del Vechio, Louise Cardoso, Celso Frateschi, Walter Breda, Ester Góes e o jornalista Goulart de Andrade como Chefe de Reportagem. E o primeiro filme da belíssima Mayara Magri:
Passado em São Paulo, in loco nas eleições para governador de 1982, as primeiras depois da anistia, "A Próxima Vítima" traz um recado óbvio: por mais que se faça, que se vote, nada vai mudar. David Duarte (Antônio Fagundes, no melhor papel de sua carreira) é um repórter que durante a eleição, acaba…
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Poema: Difícil

FB10Fev15

Tá difícil.
Nunca imaginei que a vida se tornasse tão difícil.
Tá muito difícil.
E não tem riscos, montinhos
Nem céus, nada pra pular
Tem que andar no sujo liso, sem montinho.
Posso dizer isso sem qualquer pudor
Tá difícil mesmo.
Nunca pensei que um dia eu ia dizer isso
Mas agora disse.
Disse que tá difícil e pronto.
Vou andar pelas ruas e as pessoas vão dizer:
Olha lá aquele que disse
Que disse
Que disse
Nunca imaginei isso, nem adianta explicar.
Só sei que tá difícil.

Difícil demais, é o que está.
JBA

Poema História

9Fev15

A História passa
Feito bala perdida
Tudo no mundo muda,
Tudo se transfigura
Numa mesma vida
Sem tempo pra pensar.
Palavras se embolam
Sufocam na garganta

Pedindo pra espirrar.
Tudo na vida é tudo, é só
Urgência e sofrimento.
Nada mais alcança
O desafio do vento
JBA

Poste

FB 7\fev\15

Já sem serventia
Percebi que era um poste
Ensino caminho aos mais perdidos
E me usam como banheiro
De cães vadios 
Às vezes me divirto com madames
Catando seus cocozinhos

Vi um deles cagando jóias
E outro, um maço de dinheiro. 

Poema: Em fuga

6\fev\2015

Em fuga
Às vezes penso em aves
E destas as que não voam
Delas aproveito as penas
As que me oferecem ao chão 
Cato ansioso sabendo que não voam
Correm apenas
E servem em minha fuga
Tanto quanto servem ao chão
Jba

domingo, 8 de fevereiro de 2015

texto que exclui

Facebook 08Fev15

Aqui estou eu, tentando encadear um pensamento sobre a política. É sempre um risco. Penso que os impasses correm o risco de levar a rupturas quando no limite das tensões e da intolerância. Estamos vendo que nenhuma força política pode governar o país sozinha. No entanto, muitos preferem o impasse. E o país, os cidadãos comuns esperam, quietos, silenciosos, já que os ruídos estão nos partidos e seus entornos. Pois bem, pensei, pensei, resolvi parar por aqui, sem apontar caminhos. Fica aqui como expressão de minhas preocupações.
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sábado, 24 de janeiro de 2015

poema SILÊNCIO


24Jan2014

SILÊNCIO

São tantas as incertezas
Cercam nossas aldeias e vidas
Animais ferozes e rugidos
Tantos quanto sejam precisos

São tão grandes as sombras
Escapam do Paraíso, perdidos
Feito corpos de guerra, feridos
Em busca de seus demônios

São tão agudos nossos gritos
Em parte por serem fingidos
Já que todo ser vivo quando nasce
Sabe que os dias serão sofridos

São tão poucas as alegrias
O riso se vende como tesouro
O brilho volátil do ouro
Uns poucos possuem o de todos

São tão raras as palavras
Embora tantas peçam saída
Prisioneiras de todos os medos
Emboladas nos cérebros intumescidos

São tão poucas nossas certezas
Cobertas por ferozes rugidos
Cercam nossos  desejos
Sonhos não são mais precisos











terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Poema: Faltas


FALTAS
20\jan\2015

Não são os dias, os apressados
Não são os anos que passam ligeiros
Não são os olhares que nos vigiam
Não são as pedras que nos chutam
Não é o vento que nos derruba
Não é a chuva que nos inunda
Não é o medo que nos poe em fuga

Não é o tiro que nos mata
Não são os pobres que nos assaltam
Não são os meninos que nos assustam
Não é o dinheiro que nos falta
Não é a poeira que nos suja
Não é o mal que nos castiga
Não é a sorte que nos falta

Não é o poste que nos atropela
Não são as palavras que nos ofendem
Não são as rimas que fazem os versos
Não são as armas que nos atiram
Não é a distância que nos separa
Não é o dever que ainda nos une
Não é o agora que preocupa
Não é o futuro que nos apavora

Nem nada, nem tudo que nos cala
Nem o silêncio, a covardia, o medo
Nem tudo que dizemos pela vida
Nem tudo ou nada queremos
Nem nada, nem tudo fazemos
Nem tudo ou nada
Nem nada.

Olho ao redor de fantasmas
Que povoam as ruas de minha febre
Nada real me ameaça ou assusta
Embora o medo cubra tudo de espanto
Sonho com formigas, são tantas
E cães que apenas fingem ameaças
Espanto meninos deseducados
Nenhum deles carrega armas
E seus olhares são tão doces
Como se fossem meus filhos

Não, não é arma o que a mão exibe
Nem dela o tiro que nos mata
Não é o medo que nos poe em fuga
Não são os pobres que nos assaltam
Nem os meninos que nos assustam
Não é o dinheiro que nos falta
Não é a poeira que nos suja
Não é o Senhor que nos castiga
Não é a sorte que nos falta

Nem tudo ou nada queremos
Nem nada, nem tudo fazemos
Nem tudo ou nada
Nem nada
Nada