segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

AindaHQVSuco dez2015

Dez/2015  Facebook


Comments
Fernando Nogueira Do Cineclube Caaso, USP, São Carlos. O Arquivo do Caaso está sendo reorganizado e tem muito material por lá.
Cristiano Covas Vi uma entrevista sua sobre Vlado. Muito bom! Parabéns! És um dos grandes!
Joao Fonseca Neto Maravilhoso filme .
La Minillo Um super filme por sinal..
Samuel Corrêa Bueno Esse filme eh demais. Ao mesmo tempo um retrato fiel da epoca e um documento atemporal das relacoes humanas !
Diego M Doimo São Carlos vc é sempre bem vindo
Leopoldo Nunes Lembro bem.
Folder do Fê Sousa.
E o filme foi um dos maiores clássicos do cineclubismo brasileiro de todos os tempos.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

emails Michilles

João,

Com todo respeito...nunca fui filiado a um partido, tampouco nos tempos clandestinos...O máximo que consegui foi ser próximo a "Ação Popular", na verdade amigo de Honestino Guimarães (desaparecido), ele foi uma espécie de irmão mais velho quando cheguei em Brasilia aos 15 anos de idade (1968). Mas posso te contar que os meus heróis desde os 13 anos, todos eles eram comunistas, ao menos um deles Geraldo Campelo integrava a direção do PCB-AM, visitava-o em sua casa, ele gostava de mostrar as suas fotos na URSS, na China junto ao MAO, em Cuba com Fidel e Che, etceteras. 

Visita-lo era sempre um ato de desobediência civil e familiar. Geraldo, apesar de ser da elite-AM, por exemplo, o sobrinho viria ser senador da republica Jeferson Peres, ele era renegado como tivesse contraído uma doença contagiosa Geraldo vivia com a Maria (líder comunista) mas não eram casados. Os outros heróis eram o líder estudantil amazonense, o comunista Amazonino Mendes e a sua namorada Tarcila Negreiros entre outros. Já anos 70, ao menos Amazonino, já mostrava-se disposto a apoiar quem combatia, inclusive os militares. Foi uma desilusão. Um dia conversando com ele...justificou-se, "caboclo, já dei a minha contribuição a causa". Dito isso, o que assistimos hoje é deprimente..algo semelhante ao que me pareceu frustrante no Amazonino... ex-comunistas agindo sob oportunismos, colaborando com argumentos que só sedimenta o ódio ao PT e incluso todos aqueles que de alguma forma não são petistas, mas defendem uma ordem social-democrática.

O mundo girou...O papa Joao Paulo II, Ronald Reagan e Margaret Thatcher quando chegam ao poder iniciam o desmanche das conquistas do pós-guerra e dos conflitos anos 60 (liberdades individuais), era o Acordo de Washington, aqui denominado de "neo-liberalismo". Alavancou-se a epidemia do consumo...desmoralizou-se o espirito coletivo e o individualismo (narcisismo), o tal do animal-empresário exaltado como orgânico a humanidade. Caiu o Muro de Berlim e com ela toda a mentira que se ergueu para justifica-la. A esquerda viu-se perdida, assim como os jovens "beats" da geração perdida dos EUA. E, aí que gostaria de afirmar. Acredito nas análises históricas que recorrem a psicanálise: Herbert Marcuse, Norman O. Brown, Michel Foucaut, W. Reich,Cristopher Lasch...Um dos maiores equivocos dos comunistas foi renegar Sigmund Freud & não terem lido "O mal-estar na civilização"(1930). 
A perseguição aos dissidentes ou aqueles que pensavam diferente (Maiakovski, Eisenstein, Meyerhold, etc), quando não eram mortos, foram denominados de loucos e levados ao hospício ou prisão (Gulag). E, antes que encerre esta aborrecida argumentação (pelo texto extenso), quero lembra-lo do psicanalista franco-martinica Frantz Fanon: “Todo pueblo colonizado - es decir, todo pueblo en cuyo seno haya nacido un complejo de inferioridad a consecuencia del enterramiento de la originalidad cultural local- se sitúa siempre, se encara, en relación con la lengua de la nación civilizadora, es decir, de la cultura metropolitana.” 
abs

https://plus.google.com/u/0/_/focus/photos/public/AIbEiAIAAABDCI-b28iRsOSrRiILdmNhcmRfcGhvdG8qKDA5NmFjYTVjZDhmNTNhMDJiMDRmYTAxZTkyMzBjOThkMGM4NzRmMDAwAYc_ijbOdCuoDuSUKFyiXZyTNjdL?sz=32
06Mai2015




Caro Michiles,
Por brincadeira, estamos muito... respeitosos.
Nós nos conhecemos pouco, mas eu pelo menos admiro você  como cineasta (conheço pouco também)  e pela sua ligação com a história, os pensamentos.
Não vamos exagerar falando de perseguições. Os primeiros anos da URSS foram de grande liberdade. Logo tudo caiu na politização extrema e nas disputas pelo poder. Tal como aconteceu com o (meu) PCB, o setor popular inoculou todos os seus preconceitos contra os intelectuais, incrivelmente manipulados pelos dirigentes (intelectuais?) mais repressores. A esquerda do mundo engoliu aquilo em todo o mundo, "em nome do socialismo". E muiiiiiitos não conseguiram acreditar nas terríveis denúncias do stalinismo. Essa coisa de aplicar a psicanálise à história é bastante duvidosa. Encanta, Fanon é um poeta da revolução encantada. Alimenta a alma guerreira.  É do nosso lado, do lado da utopia comunista.  Mas é preciso buscar raízes históricas mais complexas para os comportamentos. Você sabe, eu fiquei contra a ideia de luta armada, contra as idéias da tricontinental.Contra a ilusão poética da luta armada, líderes quase como deuses conduzindo o povo para a luta. Sempre fui PCB. Mas segui amigo de Cuba. .Os povos cultivam uma certa sabedoria diante do poder. E cultivam o senso prático de suas vidas diante de ofertas sonhadoras. Sentindo o poder como uma força acima de suas próprias forças, busca caminhos que julga possíveis. Minha mãe ficava brava com meu pai quando ele discutia política com amigos: era expor-se demais. Mas minha mãe não tinha esse complexo do oprimido que se sente inferior diante da cultura do opressor. Claro que esse sentimento também existe. Quando fui á região da Guerra do Contestado, descobri lá que as famílias tinham vergonha de dizer que antepassados haviam lutado ( e vencido em muitas batalhas) o exército brasileiro. Era claro: a classe dominante inoculou na sociedade uma visão lombrosiana dos revoltosos. Aí está. Isso é o que se deu depois da guerra. Um comportamento que misturava uma certa vergonha e o medo da repressão. Mas esse sentimento não impediu que, durante a guerra, os camponeses tenham aderido à luta e que suas relações com os coronéis ("compadres") se transformassem em relações de conflito e ódio. 
Na verdade não excluo sua visão como possível. Leio com prazer.  
Mas, mesmo gostando de teóricos como o Fanon, penso que o comportamento humano é mais complexo, exige mais. 

Estou muito cansado, depois de um dia exigente demais.
E talvez esteja sendo confuso. 
Mas vou terminar com três pensamentos:
1- A questão é a democracia. A esquerda deve sempre se pautar por ela, aprimorá-la e não usá-la;
2- A esquerda deve lutar sempre pelo poder dentro da democracia. Mas deve também admitir e estar preparada para as derrotas.
3- As divisões da esquerda nos anos 60, contra a ditadura, reafirmaram o que era mesmo preciso: não há uma só esquerda nem no Brasil e nem no mundo. Os stalinistas queriam isso mas o PCB, em sua Resolução de 58 afirmou o caráter nacional da luta socialista no Brasil. Estávamos juntos mas não misturados...
Um abração,
JBA
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Artigo Diario Sp 30Nov2015

Diário de São Paulo, 30Nov2015


Bem-vindos ao Memorial!
João Batista de Andrade
Em tempos adversos, ou como reza o dito popular, “quando o cobertor é curto”, a gestão de políticas públicas em instituições culturais, além da obrigatória austeridade, exige criatividade redobrada para oferecer eventos de qualidade e que satisfaçam as demandas de todas as faixas etárias e socioeconômicas da população.
É exatamente essa a realidade que o Memorial da América Latina está vivendo nos últimos meses, desde que mudou o seu perfil administrativo e imprimiu um novo conceito de gestão, ancorado na proposta de maximizar o uso de todos os espaços desse importante complexo arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer. Esse era meu desejo desde que assumi, há pouco mais de três anos: transformar o Memorial no novo endereço de lazer, recreação e cultura das famílias paulistanas nos fins de semana. Povoar nossos espaços. Daí a  marca de nossa gestão: Memorial, espaço público de cultura.
Para chegar a esse objetivo, sem depender totalmente do engessado orçamento público, implantamos uma nova filosofia de trabalho que prioriza as parcerias e a captação de recursos na iniciativa privada. As parcerias já sinalizam alguns aspectos positivos. O primeiro deles é que, mesmo com menos recursos próprios, os eventos vão trazer muito mais público ao Memorial do que no ano passado. Em consequência disso, mais pessoas estão descobrindo o Memorial. No Festival de Sorvete, por exemplo, 30 mil pessoas vieram ao Memorial e, destas, 9 mil visitaram o Pavilhão da Criatividade, uma de nossas exposições mais importantes.
Outro dado interessante: a proposta e o formato desses eventos em parceria oportunizam o relacionamento natural entre visitantes de diferentes nacionalidades - o que confirma a vocação do Memorial como polo de integração cultural da América Latina. Isso pode ser constatado no show em homenagem a Cazuza, que reuniu 40 mil pessoas na Praça Cívica. Ou, ainda, na festa de aniversário da Independência da Bolívia, que recebeu quase 50 mil visitantes em dois dias de evento.
Tudo isso reafirma o Memorial como uma das instituições mais visitadas de São Paulo. Muitos mais visitantes virão em 2016. Antes, deixo o convite: venham conhecer e se divertir coma Vila de Natal do Memorial. Nossa árvore de Natal vai competir em altura com a do Ibirapuera.

João Batista de Andrade é cineasta, escritor e presidente do Memorial da América Latina.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

ElogiosOut2015

1- Pelo Facebook:

O Fisico que virou suco finalmente se encontrou pessoalmente com o Documentarista Quantico João Batista de Andrade. Diretor de filmes imperdíveis (tentei escrever o impacto que cada um teve na minha vida, mas a postagem teria km, vou escrever aos poucos) e autor de livros deliciosos, dono de um olhar critico e de uma habilidade em contar histórias abstraindo a realidade cotidiana para algo mais atemporal, J.B. é um heroi, dono de uma coragem impensável para os dias atuais, mesmo com sua fala mansa e firme. Uma coragem ainda hoje rara !
E ainda tive o privilégio de ver ao seu lado, o primeiro filme completo (e censurado): Liberdade de Imprensa de 1967. Filme onde sua linguagem já é bem definida.
J.B. obrigado por sua obra. Ela me comove, me guia, me faz ser um cidadão mais questionador.


2- E-mail  06Out 2015:
Entrevista
João Batista de Andrade
Priscila Sales e Guilherme Providello

Os trabalhos do cineasta e escritor João Batista de Andrade – e aqui o plural não é mera concordância gramatical – sempre estiveram presentes no cotidiano dos entrevistadores que aqui escrevem. Seja por meio da imagem em movimento, dos passeios pelas páginas de seus livros, das discussões na mesa do café sobre os temas que seu trabalho provoca ou mesmo colhendo os frutos de suas políticas culturais que ressoaram aqui, numa cidadezinha do interior. O contato, pouco formal pelas redes sociais, permitiu-se avançar, e a receptividade generosa pelo universo virtual nos levou ao Memorial da América Latina para uma entrevista. Ou melhor, para um diálogo, porque observamos naquele momento manifestar-se sua capacidade de intervenção: um roteiro de perguntas que vimos se desdobrar em outras paragens. Não poderia ser diferente, estávamos diante de uma pessoa cindida entre emoção e razão. Como nos contou: “sou uma pessoa essencialmente emotiva e acho que essa racionalidade veio para me aguentar”. Dono de uma trajetória marcada pela história política brasileira dos últimos 50 anos, suas obras enunciam uma vontade de intervir e provocar a sociedade. Por meio de um percurso criativo e distante de um discurso polarizador, elege o diálogo como ferramenta para incitar a reflexão. Neste caso, pouco importa se tem em suas mãos uma câmera ou uma caneta. Cineasta engajado – mas que não se importa em vestir uma gravata para atuar na direção de instituições culturais – trouxe às telas mais dúvidas do que certezas. Juntamente com outros cineastas, ousou levar à TV documentários que mostravam “um Brasil não oficial”: um ruído que versava contra a autoridade e o conformismo.  Uma vasta obra cinematográfica que não nos deixa esquecer a complexidade de um passado de ditadura: não para nos lembrar que esse passado existiu, mas para discutir esse passado em nossa atualidade. João Batista de Andrade transitou por diversas esferas: da militância dos movimentos sociais na década de 1960, criou produtoras e festivais, escreveu livros, seus filmes ganharam o mundo e diversos prêmios, produziu documentários para TV, trabalhou na Cinemateca Brasileira, foi Secretário da Cultura do Estado de São Paulo e atualmente é presidente da Fundação Memorial da América Latina. Não por acaso, em 2014, recebeu o Prêmio Juca Pato como “Intelectual do Ano” e o Prêmio de Direitos Humanos da OAB. Enfim, uma trajetória intensa, multifacetada e cheia de inspirações tão cultivadas no palco da arte e da política, ou da política e da arte, distinção realmente difícil de mensurar. Sensível às questões sociais travestidas em imagens, literatura e ações, João Batista de Andrade observa “tenho uma relação direta com a vida”, axioma presente em cada linha desta entrevista.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Zonas de Sombra, por Javier Maria

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Poema "Hoje"

Ainda para rever.
22/Junho/2015


HOJE

Com os amigos
Mais que falando aos que nos ferem
E com a intensidade além de mesuras
Isentos de falsos desprendimentos
É preciso falar abertamente.
Vemos a todo instante
Dia após dia, mês e ano
O destempero caótico desse tempo enfermo
Que a todos pilha e ludibria
Como qualquer moleque o faria.

Somos passageiros dessa nave incerta,
Espectadores em inerte fúria 
Que distantes do fogo que nos queima
Ferimos quem estiver mais perto.

Um lago imenso nos consome
Transformando olhares e sabores
Desviando escutas e palavras chulas
Já que não queremos ver o que vemos
E mergulhamos então na água suja
Em busca de significar o que queremos.
Nada é, tudo incerto
Tudo fétido e passageiro
Mundo de realeza inútil
Que em nada nos apraz e tudo cega!
Por isso odeio o sorriso de quem noticia
Como quem nos agrada a todo custo
E espera com isso que se aplaque a ira
Nos consome o fogo como verme dentro
Medo de cuspir o falso como verdadeiro.

Somos passageiros dessa nave incerta,
Espectadores em inerte fúria 
Que distantes do fogo que nos queima
Ferimos quem estiver mais perto.

Olho em volta, em busca dos amigos
Consumidos todos pelo desespero
Inúteis são os gestos e o olhar já cego
Mesquinhos nossos pálidos desejos
Trágicos destinos de apalpar sem dedos
Patéticas sílabas frente ao verdadeiro.
O mundo queima sob o olhar incerto
De quem dele depende, acusa e fere
Já que preferimos os nossos desejos
Mesmo que a vida os denuncie
E o ardor sincero de nossos sentimentos
Sinceramente os negue.

Somos passageiros dessa nave incerta,
Espectadores em inerte fúria 
Que distantes do fogo que nos queima
Ferimos quem estiver mais perto.